Portugal

Piriculariose do arroz

Pyricularia oryzae (Magnaporthe grisea)

Descrição: É, sem dúvida, um dos fungos mais importantes e perigosos para a cultura do arroz. Em Portugal, o risco do seu aparecimento e instalação na cultura situa-se entre os meses de Junho e Julho. Os conídios formados nesta época dão origem a infecções primárias, proliferando em novas infecções em cada 6 dias. As condições favoráveis ao seu desenvolvimento são a presença de água, a chuva, a humidade prolongada, não sendo a temperatura um factor limitante ao seu desenvolvimento. Desequilíbrios nutritivos, tal como o excesso de azoto são condicionantes favoráveis à acção deste fungo.
Normalmente, as infecções ocorrem durante a noite e início da manhã. Em condições secas os conidios deste fungo existente nas sementes ou palhas doentes mantém-se viáveis durante um ou mais anos. Sabe-se ainda que os conidios que atravessam o Inverno, são capazes de infectar as folhas do arroz.

Sintomas e danos: A Piriculariose pode atacar toda parte aérea do arroz. A sua sintomatologia pode manifestar-se no limbo, bainha das folhas, nós, colo da panícula, ráquis e glumas da flor.
Nas folhas as lesões são normalmente manchas, inicialmente puntiformes e de cor verde, que depois enegrecem. Muitas manchas tomam a forma elíptica ou unem-se entre si. Mais tarde estas manchas desenvolvem-se e escurecem apresentando zonas acinzentadas no centro e descolorações amareladas no exterior.
Quando o tempo corre seco, as lesões podem tornar-se quebradiças e partir. Nas bainhas das folhas aparecem também manchas semelhantes ás do resto das folhas, mas mais largas e de margens indefinidas.
Nos nós do colmo e nos colmos nota-se também frequentemente, manchas húmidas que vão escurecendo desde o castanho até ao negro. Tal como acontece com as folhas, os colmos podem partir nas zonas necrosadas.
Relativamente aos sintomas ao nível do colo da panícula, as manchas acastanhadas envolvem o último nó, em forma de anel, e prolongam-se pelo ráquis, ramificações do ráquis e pedicelos das espiguetas. Em consequência das lesões dos tecidos na região do colo, este quebra-se e a panícula fica pendente, o que é característico desta doença. Estes sintomas são gravíssimos, visto impedirem a formação do grão. Nas panículas infectadas com maior gravidade podem ver-se
pequenas manchas castanhas e negras nas glumelas. Em ataques severos as panículas emergem já infectadas e tornam-se brancas muito antes da maturação.